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Cultura jun 25, 2026

Onde foram parar as cores do mundo?

Em diferentes áreas do design, da arquitetura e da cultura visual, aparece uma percepção recorrente: o mundo parece muito mais neutro do que no passado. Menos cores no cotidiano, mais branco, cinza, preto e tons intermediários que se repetem em objetos, cidades, carros, roupas, casas e decorações.

Isso não é só impressão isolada, alguns estudos, como a pesquisa da Inc., que analisam objetos e espaços ao longo do tempo mostram que a variedade de cores em produtos e ambientes vem diminuindo, principalmente desde que a produção em massa virou regra.

Segundo Roberto Verdussen (1978), as cores também podem ser usadas para deixar os ambientes mais agradáveis e aliviar efeitos de contextos menos estimulantes, como a repetição e a monotonia de certas atividades.

Olhando ao redor, carros, geladeiras, celulares, prédios e até mesmo dentro de casa. A maioria parece ter combinado silenciosamente de usar a mesma paleta de branco, preto e cinza. Quando você compara objetos de décadas diferentes, aparece um padrão bem claro: antes tinha mais variação de cores, o vermelho, azul. amarelo, laranja e etc eram muito presentes.

Foto: Pinterest.

As cores neutras são práticas e funcionam em qualquer mercado, não cansam rápido e reduzem risco de rejeição e em produção em escala, isso conta muito. Junto ao design digital, que precisa ser limpo, legível e consistente, e o resultado aparece no mundo físico também, o que funciona na tela começa a aparecer em objetos, embalagens e até na arquitetura. Em leituras sobre consumo e design, essa busca por “segurança visual” aparece como uma das razões para o mundo ter ficado menos colorido.

Apesar de muitas vezes ser tratada como um detalhe secundário em áreas como arquitetura e engenharia, a escolha das cores de um ambiente tem um impacto direto na forma como ele é percebido pelas pessoas. O uso da cor envolve conhecimentos de psicologia, ergonomia e também aspectos técnicos do espaço construído.

Por isso, definir uma paleta não deveria se basear apenas em estética, mas também em como ela afeta a experiência de quem ocupa o ambiente, já que as cores influenciam o humor, sensações e interferem na forma como o corpo e a mente reagem ao espaço. Um estudo de 2010, publicado na BMC Medical Research Methodology apontou que o cinza costuma ser associado por pacientes a sentimentos ligados à depressão, enquanto o amarelo aparece com frequência como referência de alegria.

Independente dos estudos, muita gente tem a mesma impressão: as coisas parecem menos vibrantes, menos vivas e sem cor. Quando colocamos fotos antigas lado a lado com imagens de hoje, essa sensação fica mais forte.

A cor deixa de estar espalhada no cotidiano e passa a aparecer de forma mais controlada, aplicada em pontos específicos, muitas vezes com função simbólica ou estratégica. Hoje em dia colocar cor nas coisas virou quase como um “toque de autenticidade e personalidade”, e movimentos maximalistas estão tentando crescer entre algumas pessoas, fazendo com que as cores e estampas retornem ao dia a dia de forma mais habitual

Há um movimento cultural recente em que a Geração Z começa a questionar essa estética mais neutra, trazendo de volta o uso de cores mais marcantes (maximalismo) e uma abordagem mais distante do minimalismo. Ao mesmo tempo, escolhas estéticas estão sempre conectadas ao contexto social, econômico e cultural em que surgem, o que significa que cores, formas e até a arquitetura refletem as condições e particularidades de cada lugar.

Foto: Pexels.

Em um mundo cada vez mais tomado por tons neutros, vale lembrar que cor não é só estética. Ela também mexe com bem-estar, com a forma como a gente usa os espaços e até com o clima do dia a dia e quando isso entra no pensamento de arquitetura e design, os ambientes deixam de ser só bonitos de olhar e passam a funcionar melhor na prática, ficando mais vivos, mais confortáveis e mais agradáveis de estar.


Por Verônica Lira – Marketing na SMI.