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Tendências ago 27, 2026

Por que viajar nos deixa mais criativos?

Viajar muda o cenário, mas também muda a quantidade de coisas que precisamos observar e descobrir. Encontramos outras formas de viver, experimentamos novos hábitos e somos colocados diante de situações para as quais não temos respostas prontas, e é essa combinação que ajuda a entender por que uma viagem pode ter efeitos sobre a criatividade.

A rotina economiza energia, nós já sabemos qual caminho fazer, onde comprar um café, como funciona o nosso trabalho e o que esperar de boa parte do dia. Nem precisamos prestar tanta atenção para realizar tarefas que já conhecemos e em uma viagem, isso muda, pequenas coisas exigem mais atenção: entender uma placa em outro idioma, descobrir como funciona o transporte, escolher um restaurante sem conhecer a região ou encontrar um caminho diferente para chegar a algum lugar, a quantidade de novidades aumenta e, também, a necessidade de observar e tomar decisões.

É um dos pontos destacados pelo psicólogo Igor Henrique, professor da Universidade Tiradentes (Unit). Segundo ele, viajar interrompe o funcionamento automático que costuma dominar a rotina e amplia o repertório a partir do contato com outras pessoas, espaços e formas de enxergar o mundo. Isso não significa que qualquer viagem vá automaticamente nos tornar mais criativos, mas ajuda a explicar por que mudar de ambiente pode abrir espaço para novas associações.

Foto: Pexels.

Uma viagem pode colocar lado a lado coisas que dificilmente apareceriam juntas na rotina: uma arquitetura que chama atenção, uma exposição, uma conversa com alguém de outra cultura, um prato desconhecido, uma paisagem ou uma maneira diferente de organizar a vida cotidiana. Quando entramos em contato com essas experiências, descobrimos que muitas coisas que pareciam óbvias são, na verdade, apenas uma das possibilidades.

A National Geographic também fala que que experiências em lugares novos podem aumentar atenção, energia e foco, enquanto pesquisas anteriores relacionam a adaptação a culturas estrangeiras com a criatividade. O ponto mais interessante é que não basta apenas estar fisicamente em outro lugar, o envolvimento com aquilo que estamos vivendo parece importar bastante.

Viajar para outro lugar, por si só, não significa necessariamente ampliar a forma como pensamos, o que muda a experiência é quando existe contato de verdade com o lugar e com as pessoas que vivem ali, pesquisas sobre experiências multiculturais apontam que o contato mais ativo com outras culturas tem uma relação maior com a criatividade do que apenas estar exposto a elas.

Uma reportagem da National Geographic Brasil também reúne pesquisas que associam o planejamento de uma viagem a benefícios para o bem-estar, um dos motivos apontados é a combinação entre aquilo que conseguimos imaginar e a dose de novidade e incerteza que ainda existe. Sabemos algumas coisas sobre a viagem, mas não sabemos exatamente como será aquela rua, aquele restaurante ou o que vai acontecer entre um ponto e outro do roteiro.

Durante as férias estamos fazendo menos daquilo que fazemos todos os dias e afastar-se temporariamente das demandas do trabalho e da rotina pode reduzir a quantidade de estímulos e preocupações competindo pela nossa atenção. Em vez de responder mensagens, resolver problemas e cumprir horários, temos mais momentos para observar, caminhar, conversar e ficar sem fazer nada. Uma rua que nunca vimos antes oferece muito mais informação para o cérebro processar do que o caminho que fazemos todos os dias.

A viagem continua depois que acaba

Em um estudo publicado em 2025 na Tourism Management, Lujun Su, Xiushan Wang e Songshan Huang analisaram sobre a maneira como as pessoas compartilham suas experiências de viagem. O resultado mostrou que falar sobre uma viagem a partir dos desejos, possibilidades e significados da experiência foi mais eficaz para estimular a criatividade do que focar apenas em aspectos práticos, como o que fazer ou como organizar a viagem.

Os pesquisadores identificaram também que falar sobre o que uma experiência despertou em nós pode fazer mais do que recontar o roteiro, é aonde o repertório continua, uma viagem pode deixar referências que continuam aparecendo muito tempo depois que ela termina.

Foto: Pexels.

Por Verônica Lira – Marketing na SMI.