A Copa do Mundo da FIFA é o principal torneio de seleções do futebol mundial, embora tenha o esporte como centro, o evento funciona também como um grande encontro cultural, onde identidades nacionais são expostas, traduzidas e observadas em escala global. Esse fenômeno cultural mais amplo acontece porque a Copa envolve circulação internacional de torcedores, cobertura midiática intensa e uma presença constante de símbolos nacionais fora de seus contextos originais, tornando um ambiente em que culturas diferentes se encontram.
Nas arquibancadas, o futebol deixa de ser apenas competição e passa a ser linguagem cultural, onde cada país constrói formas próprias de torcer, que refletem hábitos sociais e estilos coletivos. No México, o “wave” transforma o estádio em movimento contínuo. No Japão, a limpeza organizada após os jogos se torna parte da experiência coletiva. Na Holanda, o uso massivo da cor laranja cria uma identidade visual imediata nas ruas e estádios.

Algumas torcidas criam rituais que se tornam marcas do país dentro da competição. Na Copa deste ano, a Noruega ganhou destaque com a “Viking Row”, uma coreografia baseada no gesto de remar em grupo, acompanhada por como “ro”, palavra que significa “remar” em norueguês. O gesto se espalhou para além dos estádios, aparecendo em ruas, estações e em toda a internet, o movimento remete a referências históricas nórdicas e foi criado como uma forma de identidade visual e sonora para a torcida, funcionando quase como uma assinatura nacional.

Além das torcidas, os mascotes também trazem muito da cultura de cada país. Criados pela FIFA, os mascotes juntam referências simbólicas em personagens fáceis de reconhecer e acabam aparecendo em transmissões, produtos e ativações digitais. Ao mesmo tempo, as torcidas também inventam seus próprios personagens e símbolos, mais soltos e improvisados, o que reforça esse lado espontâneo e criativo das arquibancadas.
Essas diferenças fazem com que cada partida tenha uma camada cultural paralela ao jogo. Além, de observar o placar os espectadores observam e se divertem também como cada país se apresenta.
A convivência desses estilos faz da Copa uma espécie de vitrine temporária de diferentes formas de viver em grupo e os estádios passam a reunir, no mesmo espaço, jeitos bem distintos de demonstrar cultura, emoção e identidade.
Nesse contexto, torcidas, mascotes e rituais deixam de ser apenas detalhes, e mostram, na prática, como cada grupo organiza a forma de torcer, sentir e se reunir em coletivo, algo que no dia a dia aparece de maneira mais dispersa.
Por Verônica Lira – Marketing na SMI.