Literary Travel, quando a literatura vira roteiro. A ideia de viajar por causa da literatura está ganhando cada vez mais espaço, seja uma visita ao lugar onde viveu um escritor, um roteiro baseado nos cenários de uma obra ou alguns dias em uma hospedagem onde seja possível ler com calma.
A Skyscanner identificou esse comportamento em sua pesquisa sobre tendências de viagem: 57% dos viajantes já reservaram ou consideraram reservar uma viagem inspirada pela literatura. As buscas por hotéis com biblioteca também cresceram 70% em relação ao ano anterior.

No Pinterest, as buscas por “book club retreat ideas” (ideias de retiros para clubes do livro) cresceram 265%, acompanhando uma procura maior por viagens que tenham a leitura como parte da experiência. É nesse contexto que aparecem os chamados readaways, viagens planejadas em torno dos livros, dos autores ou simplesmente do tempo para ler.
Em vez de encaixar um livro entre um passeio e outro, a leitura passa a fazer parte do motivo da viagem. Isso explica o interesse por hotéis com bibliotecas, retiros de leitura e até roteiros construídos a partir de obras literárias.
E não faltam lugares que ajudam a transformar essa ideia em viagem: A biblioteca da Abadia de Admont, na Áustria, ocupa um salão barroco de 70 metros de comprimento e reúne uma coleção histórica em meio a esculturas e afrescos.

Em Coimbra, a Biblioteca Joanina, construída no século XVIII, guarda cerca de 60 mil volumes antigos dentro da Universidade de Coimbra.
Em Dublin, a Long Room do Trinity College se tornou um dos grandes cartões-postais literários da cidade. Stuttgart abriga o Hölderlin-Archiv, dedicado ao poeta Friedrich Hölderlin, dentro da Württembergische Landesbibliothek.
E, no Rio de Janeiro, o Real Gabinete Português de Leitura guarda cerca de 350 mil volumes em um dos edifícios mais conhecidos da cidade e mantém uma ligação histórica com Machado de Assis.

A Rota Machado de Assis, no Rio, passa por lugares relacionados à vida do escritor e às paisagens que aparecem em sua obra. Outros destinos exploram a relação com autores como Jorge Amado, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade.
Para o mercado de viagens, o turismo literário também abre outras possibilidades. Um hotel pode ter uma biblioteca que faça parte da experiência da estadia, um destino pode transformar a obra de um escritor em roteiro e uma operadora pode criar viagens que passem por livrarias, arquivos, bibliotecas e lugares que aparecem em determinada história.
Um exemplo dessa aproximação entre viagem, leitura e hospitalidade está no Stamba Hotel, em Tbilisi, na Geórgia, membro da coleção Design Hotels. Instalado em uma antiga editora soviética, o hotel incorporou sua história editorial à experiência, com uma biblioteca de cerca de 80 mil livros que atravessa o átrio de cinco andares, além de uma livraria e seleções de leitura nos quartos.

E talvez seja essa a parte mais interessante do movimento: um livro pode fazer alguém olhar para um destino que já conhecia de outra maneira, ou colocar uma cidade que nunca esteve nos planos no mapa de uma próxima viagem. A história pode ser o primeiro motivo para fazer as malas.
Por Verônica Lira – Marketing na SMI.