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OTC ago 26, 2026

A vida selvagem é parte da experiência

Durante muito tempo, o encontro com animais selvagens foi vendido pelo turismo como proximidade, fotografar um urso, nadar ao lado de uma baleia ou acompanhar um elefante em seu habitat. Quanto mais raro o animal e mais próxima a fotografia, maior parecia ser o valor da experiência.

Em destinos onde a vida selvagem é uma das principais atrações, também cresce a preocupação com a forma como os animais são observados. A quantidade de visitantes, a distância mantida durante os encontros, o preparo dos guias e o destino do dinheiro pago pelos turistas são alguns dos fatores que podem fazer diferença para a conservação da natureza e para as comunidades locais.

A Time Out reuniu 11 experiências de vida selvagem que seguem essa lógica, em lugares tão diferentes quanto Galápagos, País de Gales, Alasca, e outros. As experiências escolhidas acontecem em lugares diferentes e envolvem espécies diversas, mas todas têm algo em comum: procuram reduzir os impactos do turismo e contribuir para a preservação dos animais e dos ambientes onde vivem.

A discussão é ainda mais importante diante do cenário atual da biodiversidade, de acordo com a The International Union for the Conservation of Nature (IUCN) mais de 44 mil espécies estão ameaçadas de extinção. O Living Planet Report, do WWF, também aponta que as populações monitoradas de vertebrados diminuíram 73% entre 1970 e 2020.

O WWF recomenda que viajantes escolham experiências que contribuam para a conservação da biodiversidade e apoiem comunidades locais, além de evitar tocar ou alimentar animais selvagens, já a World Animal Protection vai além e defende que animais selvagens sejam observados em seu habitat natural, alertando para os problemas associados a atrações de entretenimento com animais em cativeiro. A organização também aponta que políticas de turismo responsável podem orientar empresas na seleção de experiências e na educação dos próprios viajantes.

Para o viajante, isso significa prestar mais atenção em como a experiência é realizada e no impacto que ela pode causar e para o mercado de turismo, também representa mudanças na forma de escolher e oferecer experiências de natureza aos clientes.

Galápagos

Nas Ilhas Galápagos, observar a vida selvagem é uma das principais atrações, espécies como os pinguins-de-Galápagos, falcões, tentilhões-de-Darwin e atobás, além de leões-marinhos, iguanas e tartarugas-gigantes. Cada ilha tem uma fauna diferente, o que torna o passeio ainda mais interessante. Para proteger esse ambiente, os visitantes precisam seguir algumas regras, como permanecer nas trilhas, estar acompanhados por guias autorizados, não alimentar e manter distância dos animais.

Foto: Ecuador Hop.

País de Gales

Na costa de Pembrokeshire, no País de Gales, as ilhas de Ramsey e Skomer são ótimos lugares para observar aves marinhas, focas-cinzentas, golfinhos, botos e até baleias. A experiência muda ao longo do ano: os papagaios-do-mar aparecem durante a temporada de nidificação, enquanto os filhotes de foca podem ser vistos a partir de agosto. Aqui, os passeios são feitos em barcos pequenos e acompanhados por especialistas locais.

Alasca

No Alasca, os ursos-pardos são os protagonistas de experiências de observação e fotografia em meio a geleiras, florestas e rios onde os salmões aparecem em grande quantidade. Os passeios contam com guias especializados, que sabem interpretar o comportamento dos animais e decidir quando é seguro se aproximar.

Ruanda

O trekking para observar gorilas-das-montanhas está entre as experiências mais disputadas de Ruanda. No Parque Nacional dos Vulcões, os visitantes percorrem a floresta em pequenos grupos acompanhados por guias até encontrar uma das famílias de gorilas monitoradas. O número de permissões é limitado, e o turismo também contribui diretamente para a região. 10% da receita das permissões é destinada às comunidades locais, enquanto parte dos recursos financia a conservação da floresta e ações contra a caça ilegal.

Antártica

Na Antártica, o contato com pinguins, focas e baleias acontece em um dos ambientes mais frágeis do planeta, são expedições com menos de 150 passageiros, além da presença de cientistas e especialistas que acompanham os viajantes durante a viagem. O tamanho dos grupos e as regras de aproximação são importantes para reduzir o impacto da atividade e aqui, aprender sobre o ecossistema faz parte da experiência tanto quanto observar a paisagem.

Foto: Eyos Expeditions.

Fiji

Em Fiji, a experiência acontece na Shark Reef Marine Reserve, onde é possível mergulhar próximo a tubarões-touro. A área possui uma zona protegida contra a pesca e reúne oito espécies de tubarões e mais de 400 espécies de peixes tropicais. O turismo ajuda a manter esse trabalho de conservação, as taxas dos mergulhos contribuem para a proteção do recife e para projetos nas comunidades próximas, criando uma relação direta entre a atividade turística e a preservação do ambiente.

Baja Califórnia

Na Baja California, as baleias-cinzentas chegam às baías protegidas da região durante a temporada de reprodução e criação dos filhotes, os visitantes podem observá-las a partir de pequenas embarcações e, as vezes até os próprios animais se aproximam dos barcos. Uma das características mais interessantes da experiência é que o encontro não precisa ser provocado, o operador acompanha o comportamento das baleias e permite que a aproximação aconteça naturalmente, sem tentar controlar o momento.

Sumatra

Em Sumatra, os visitantes entram no Parque Nacional Gunung Leuser para procurar orangotangos em seu habitat natural, a região é um dos principais territórios dos orangotangos-de-Sumatra, espécie criticamente ameaçada, e os passeios são realizados com guias locais treinados e grupos pequenos. Parte da receita gerada pelas experiências pode ser direcionada para a conservação da floresta e para as comunidades do entorno. Preservar o habitat é essencial não apenas para os animais, mas também para que o próprio turismo continue existindo.

Botswana

Botswana é um dos destinos mais conhecidos para safáris, especialmente na região do Delta do Okavango. Os operadores combinam os passeios de observação de animais com projetos voltados às comunidades locais, incluindo capacitação profissional, geração de empregos e educação ambiental. Algumas iniciativas vão além do turismo: a Great Plains Conservation, por exemplo, apoia comunidades do Okavango com treinamento e projetos de energia solar e assim, a experiência do viajante passa, assim, a fazer parte de uma estrutura que também procura gerar benefícios para quem vive na região.

Uganda

No Parque Nacional de Kibale, em Uganda, os visitantes entram na floresta para acompanhar chimpanzés, a atividade permite observar os animais por um período determinado, enquanto os programas de habituação oferecem mais tempo para acompanhar o comportamento desses animais. Como os chimpanzés passam boa parte do tempo nas árvores, encontrá-los depende do trabalho dos guias e rastreadores, já que nem sempre é possível prever onde estarão.

Tonga

Entre junho e outubro, baleias-jubarte chegam às águas de Tonga para reprodução, durante esse período, operadores licenciados levam pequenos grupos para entrar no mar e observar os animais de perto, o número de pessoas por grupo é controlado e existem distâncias mínimas para a aproximação. Assim como na Baja California, a experiência depende de respeitar o comportamento das baleias e permitir que o encontro aconteça sem forçá-lo.

Foto: Shutterstock.

Texto adaptado da Time Out.

Por Verônica Lira – Marketing na SMI.