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Cultura • out 29, 2026

As tradições de Halloween ao redor do mundo

O Halloween é celebrado em 31 de outubro e costuma ser associado a fantasias, casas assustadoramente decoradas e crianças em busca de doces. Essa versão da festa se popularizou internacionalmente com a influência dos Estados Unidos, mas suas raízes estão ligadas a costumes europeus muito mais antigos.

Um dos principais antecedentes históricos do Halloween é o Samhain, celebração celta que marcava o fim da temporada de colheitas e o início do inverno, a data era associada à presença de espíritos e à passagem entre os períodos claro e escuro do ano. Em gaélico antigo, Samhain significa literalmente “fim do verão”. Com a expansão do Império Romano e a cristianização da Europa, a Igreja Católica tentou substituir as festividades pagãs, o Papa Gregório IV transformou o dia 1º de novembro no Dia de Todos os Santos (All Hallows) e a noite anterior, Samhain, passou a ser chamada de All Hallows’ Eve (Véspera de Todos os Santos), termo que com o tempo foi contraído e transformado em Halloween.

Ao longo dos séculos, os costumes foram transformados pelas tradições locais, religião e movimentos migratórios. Por isso, enquanto alguns países investem em festas à fantasia, outros mantêm rituais familiares e celebrações dedicadas aos antepassados.

Escócia

Na Escócia, o Halloween tem uma relação histórica com o Samhain e um dos exemplos mais curiosos é a antiga tradição de esculpir nabos para criar lanternas. Os vegetais eram esvaziados e recebiam rostos assustadores, com uma vela em seu interior. Conhecidas como tumshie lanterns, essas peças faziam parte do imaginário local antes de as abóboras se tornarem o símbolo mais conhecido do Halloween.

Alguns jogos também faziam parte das festividades, as brincadeiras envolviam maçãs, nozes e pequenos objetos escondidos em alimentos, usados em práticas populares de adivinhação sobre relacionamentos e casamento.

Outra tradição escocesa era o guising, crianças vestidas com fantasias visitavam casas de conhecidos e vizinhos, apresentando músicas, histórias, piadas ou truques em troca de pequenos presentes.

Foto: Pexels.

Irlanda

A Irlanda mantém diversas referências ao Samhain, e uma delas está presente na culinária. O barmbrack é um pão com frutas secas tradicionalmente consumido no período do Halloween e em algumas versões, pequenos objetos são colocados na massa antes do preparo, transformando cada fatia em uma espécie de brincadeira de adivinhação. O anel, por exemplo, é associado à possibilidade de casamento e a prática aparece em relatos sobre antigas tradições familiares irlandesas.

As fogueiras também fazem parte das celebrações em algumas localidades, atualmente, o calendário irlandês inclui festas comunitárias, desfiles e atividades para crianças, junto de narrativas ligadas ao folclore. E as lanternas também aparecem por lá, segundo a tradição popular do Jack-o’-lantern, um personagem chamado Jack teria enganado o diabo e acabado condenado a vagar entre o céu e o inferno, carregando uma luz improvisada. A lenda ajudou a associar lanternas esculpidas ao Halloween. Os nabos eram usados na Irlanda, enquanto as abóboras se popularizaram na América do Norte por serem maiores e mais fáceis de trabalhar.

Foto: Pexels.

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o Halloween ganhou a forma que hoje é reconhecida em muitos países, em 31 de outubro, crianças fantasiadas percorrem os bairros pedindo doces, enquanto casas e jardins recebem decorações com abóboras, esqueletos, teias artificiais e figuras assustadoras. O trick-or-treat, traduzido como “doces ou travessuras”, tem antecedentes em costumes europeus nos quais pessoas visitavam casas para pedir comida ou pequenas doações. Durante o período medieval, por exemplo, havia práticas ligadas ao Dia de Finados em que pessoas pediam os chamados soul cakes, bolinhos oferecidos em troca de orações pelos mortos.

A versão moderna da brincadeira se consolidou nos Estados Unidos durante o século XX com a chegada de imigrantes europeus, especialmente irlandeses, que contribuiu para a disseminação de costumes associados à data. Mais tarde, festas comunitárias, escolas, publicidade e a indústria de doces ajudaram a transformar o Halloween em uma grande celebração e a decoração com abóboras iluminadas também ganhou força no país. Hoje, a escolha da abóbora, a escultura de rostos e a colocação de velas ou luzes em seu interior fazem parte das atividades típicas de outubro, tanto em casas quanto em festivais sazonais.

Foto: Clancy’s Pumpkin Patch, San Francisco.

México

No México, o Día de los Muertos é celebrado em 1º e 2 de novembro, com práticas que variam entre comunidades e regiões, reunindo tradições indígenas e influências católicas, com uma ligação histórica com a memória dos familiares falecidos. Um dos elementos mais conhecidos é a ofrenda, altar montado em casas e outros espaços para homenagear pessoas que morreram.

A gastronomia também faz parte da celebração, o pan de muerto, pão tradicional preparado nessa época, acompanha frutas, pratos regionais, bebidas e doces e as caveiras doces (feitas de chocolate, marzipã e açúcar) são outro símbolo conhecido, encontradas em mercados, confeitarias e decorações.

Foto: Pexels.

Em diversas comunidades, as famílias visitam os cemitérios para limpar e ornamentar os túmulos, acender velas e permanecer reunidas durante parte da noite. A UNESCO inscreveu a festividade indígena dedicada aos mortos na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2008, reconhecendo sua importância para as comunidades que preservam essas práticas.

Embora o Día de los Muertos seja próximo do Halloween, as celebrações têm histórias e significados próprios, já que aqui os rituais estão ligados à memória dos falecidos, vínculos familiares e à transmissão de costumes entre gerações.

Países Nórdicos

Noruega, Suécia e Dinamarca possuem uma antiga tradição viking, o Álfablót, festividade rica em significados e rituais realizada pelos vikings em honra aos seus antepassados e aos espíritos protetores, conhecidos como álfar (elfos), que eram considerados guardiões da família e da terra.

Foto: Birka Museum, Suécia.

O ritual era associado ao outono, realizado durante a aproximação do inverno, mas as fontes medievais não registram um dia específico para a cerimônia. Os vikings acendiam fogueiras para iluminar a noite e afastar os espíritos malignos que pudessem se aproximar durante o período de transição.

Brasil

No Brasil, o Halloween é celebrado principalmente em festas à fantasia, eventos escolares e programações de bares, restaurantes e casas noturnas. A influência norte-americana aparece nas abóboras decorativas, nas fantasias de bruxas e monstros e na brincadeira de pedir doces, que ganhou espaço em diferentes cidades. Muitas escolas de idiomas tiveram participação na divulgação da data no país, ajudando a apresentar vocabulário, brincadeiras e referências culturais em inglês e com o tempo, a comemoração passou a aparecer também em festas infantis e eventos comerciais realizados durante outubro.

A popularização do Halloween levou fantasias, abóboras iluminadas e a brincadeira de pedir doces a diferentes partes do mundo. Em cada país, porém, a data divide espaço com costumes próprios, desde antigas celebrações sazonais até homenagens aos familiares falecidos.

Conhecer essas tradições ajuda a compreender como diferentes culturas preservam suas crenças, histórias e formas de celebrar essa época do ano.


Por Verônica Lira – Marketing na SMI.