O Carnaval acontece antes da Quaresma e faz parte do calendário cristão, mas sua origem não é exclusivamente religiosa. A festa nasce da combinação entre rituais antigos de celebração coletiva e a adaptação dessas práticas pela Europa medieval. Muito antes de existir desfile ou bloco, já haviam celebrações públicas em que comida, música e festividades faziam parte do calendário. Esses eventos funcionavam como pausas no dia a dia e acabaram sendo incorporados pela Igreja como um período anterior a semanas de restrição.
No Brasil, o Carnaval chegou com o “entrudo português”, uma brincadeira de rua onde as pessoas atiravam água, farinha, ovos e tinta uma nas outras, os africanos escravizados se divertiam nestes dias ao som de batuques e ritmos trazidos da África, que se mesclavam com as músicas de Portugal. Esta mistura seria a origem da marchinha de carnaval e do samba, entre muitos outros ritmos. A música “Ò Abre Alas“, escrita em 1899 pela compositora carioca Chiquinha Gonzaga, é considerada a primeira marchinha de carnaval.
Com o passar do tempo e o aumento da quantidade de pessoas interessadas na festa, vieram costumes de outros locais, como Paris e Nice, que ao invés de farinha, ovos e tinta, jogavam confetes, serpentinas e buquês de flores. Clubes, ranchos e grupos organizados também começaram a estruturar a festa, o que abriu espaço para o samba, desfiles e escolas de samba. Na década de 60, a marchinha deu lugar ao samba-enredo das escolas e seguiu evoluindo até os dias de hoje.

O Carnaval brasileiro não segue um único modelo porque foi sendo construído a partir de referências diversas. Ritmos africanos, influências europeias e formas populares de ocupar a cidade acabaram se encontrando ao longo do tempo. É por isso que a festa muda tanto em cada região. No Rio de Janeiro e São Paulo, os desfiles das escolas de samba concentram a programação em grandes eventos e blocos de rua. Em Salvador, os trios elétricos organizam a festa nas ruas por toda a cidade. Já em Recife e Olinda, o frevo e os bonecos gigantes são as grandes tradições locais.
O maior bloco de carnaval do mundo é o pernambucano “Galo da Madrugada”, reconhecido pelo Guiness Book, ele começou com apenas 75 pessoas e 22 músicos em 04 de fevereiro de 1978. E em 2018, bateu a marca de 2,3 milhões de pessoas no bloco, com duração aproximada de 9h30.
Carnaval no turismo e pelo mundo
O Carnaval é um dos períodos mais importantes para o turismo no Brasil, dados oficiais indicam uma movimentação econômica bilionária, impulsionada por viagens, hospedagem, alimentação e serviços. Destinos se preparam com antecedência e o setor turístico usa o Carnaval como vitrine para o mercado interno e internacional. O efeito vai além das grandes capitais, cidades menores e destinos regionais também atraem visitantes interessados em festas locais, experiências culturais ou nos dias de folga para aproveitar para descansar.
Mas a festa não é exclusiva do Brasil, outros países seguem caminhos diferentes, de acordo com seu contexto cultural. Na Europa, Veneza mantém um Carnaval centrado em máscaras e eventos fechados, com forte vínculo histórico. Na Espanha, acontece a “La Tomatina”, última quarta-feira de agosto na cidade de Buñol, onde as ruas do centro são tomadas por tomates que voam de um lado para o outro, Nos Estados Unidos, o Mardi Gras de New Orleans se organiza a partir de desfiles e muita música organizados por associações locais, conhecidas como krewes.

Na América Latina e Caribe, cidades como Barranquilla, na Colômbia e países como Trinidad e Tobago combinam salsa, fandango e merengue com desfiles e ocupação das ruas.
Por Verônica Lira – Marketing na SMI.