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Cultura ago 27, 2026

Dois eclipses e um convite para olhar para o céu

A curiosidade pelo universo foi despertada pelos eclipses solares e lunares que marcaram agosto e mostraram que ainda há muito para descobrir acima de nós.

Agosto colocou o céu no centro das atenções em diferentes lugares do mundo, pessoas interromperam suas rotinas, saíram de casa e se reuniram ao ar livre para acompanhar fenômenos que acontecem a milhões de quilômetros de nós: o eclipse solar de 12 de agosto e o eclipse lunar, a chamada “Lua de Sangue”, na noite de 27 para 28 de agosto.

Por alguns minutos, os astros que normalmente passam despercebidos no dia a dia transformaram a paisagem e abriram espaço para perguntas sobre o que acontece além daquilo que conseguimos enxergar. Quando a curiosidade permanece depois que o céu volta ao normal, podemos contar com planetários, observatórios e outros espaços dedicados justamente a transformar esse olhar em conhecimento.

Mas, antes de conhecer esses lugares, vale entender o que aconteceu no céu durante os dois eclipses desse mês.

Eclipse solar: quando o dia encontra a noite

No dia 12 de agosto, a Lua passou entre a Terra e o Sol e provocou um eclipse solar. Em algumas regiões, o alinhamento foi perfeito e a Lua cobriu completamente o disco solar, transformando o dia em uma espécie de noite por alguns instantes.

A totalidade foi visível em partes da Groenlândia, Islândia, Espanha e Portugal, enquanto outras regiões da Europa acompanharam o eclipse de forma parcial. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), o próximo eclipse solar total visível na Europa só acontecerá em 2144, o que torna o fenômeno atual ainda mais especial para quem teve a oportunidade de observá-lo. 

Foto: NASA.

Um eclipse solar como este é resultado de movimentos muito precisos entre os astros. A Lua está constantemente orbitando nosso planeta e, em determinadas ocasiões, os três corpos celestes ficam alinhados de uma maneira que a sombra da Lua seja projetada sobre a Terra. Durante a totalidade, a mudança na paisagem é uma das características mais impressionantes do fenômeno. A luz diminui, a temperatura pode cair e as sombras ficam diferentes.

Embora ocorra a redução da luminosidade, olhar diretamente para o Sol pode causar danos à visão, por isso, foram distribuídos óculos especiais para a observação solar em diversos países. Permitindo que muitas pessoas se reunissem em praças, ruas e parques para acompanhar o fenômeno com segurança.

Eclipse lunar: a vez da Lua

Se no início do mês a Lua passou entre a Terra e o Sol, agora a ordem se inverte. Na noite de 27 para 28 de agosto, foi a Terra que ficou entre o Sol e a Lua, fazendo com que a sombra do nosso planeta fosse projetada sobre o satélite natural.

O fenômeno foi um eclipse lunar parcial e pôde ser observado em grande parte das Américas. No momento de maior intensidade, cerca de 96,2% do disco lunar ficou dentro da sombra mais escura da Terra, chamada umbra, por isso, embora tecnicamente tenha sido um eclipse parcial, a Lua adquiriu uma aparência muito próxima à de um eclipse total.

Durante a fase mais intensa, parte da Lua assumiu uma tonalidade avermelhada ou acobreada e assim como ocorre no pôr do sol, a atmosfera filtra a luz azul e permite que apenas a parte vermelha do espectro atinja a superfície lunar, gerando os tons avermelhados e o nome popular “Lua de Sangue”.

Foto: Getty Images.

Diferentemente de um eclipse solar, o eclipse lunar pôde ser observado sem equipamentos especiais de proteção para os olhos, em locais com céu aberto e pouca iluminação artificial, foi possível acompanhar as diferentes fases do fenômeno.

O que nos faz olhar para o céu?

Eclipses transformam algo que está sempre presente em uma experiência extraordinária. O Sol continua nascendo todos os dias, a Lua continua seguindo sua órbita e a Terra continua girando, mas, quando esses movimentos se encontram de uma maneira específica, somos lembrados de que existe um universo inteiro acontecendo acima de nós. 

Observar o céu também faz parte da história, durante séculos, diferentes povos acompanharam os astros para medir o tempo, orientar viagens e compreender as mudanças das estações. Hoje, conseguimos prever eclipses com grande precisão, estudar a composição das estrelas e enviar equipamentos para observar regiões cada vez mais distantes do universo e mesmo assim, a sensação diante de um eclipse continua sendo bastante simples: olhar para cima e querer saber mais.

É essa curiosidade que transforma um fenômeno de alguns minutos em uma oportunidade de aprendizado, e para quem quer continuar explorando esse universo depois que o eclipse termina, existem lugares espalhados pelo mundo que transformam o céu em experiência.

Lugares para continuar descobrindo o universo

Observatório Paranal — Chile

Localizado no deserto do Atacama, o Observatório Paranal abriga o Very Large Telescope (VLT), um dos maiores complexos de telescópios ópticos do mundo. O observatório recebe visitantes em programas de visitação. Durante o passeio, é possível conhecer as instalações, observar de perto a estrutura dos telescópios e entender como astrônomos estudam estrelas, planetas e galáxias distantes. É um lugar para quem quer sair da observação do céu a olho nu e conhecer os instrumentos usados para investigar fenômenos que acontecem muito além da Terra.

Foto: ESO.

Planetário Samuel Oschin — Los Angeles, Estados Unidos

Parte do Observatório Griffith, o Planetário Samuel Oschin combina astronomia, ciência e uma das paisagens mais conhecidas de Los Angeles. Sua cúpula permite simular diferentes céus e períodos históricos, fazendo com que o visitante possa observar como o céu teria sido visto em diferentes momentos.

Planetário Peter Harrison — Londres, Inglaterra

Dentro do Museu Marítimo Nacional, em Greenwich Park, o Planetário Peter Harrison oferece uma experiência digital para observar estrelas, planetas e outros fenômenos astronômicos. O local também cria uma conexão interessante entre astronomia e navegação. Antes dos equipamentos modernos, observar o céu era fundamental para quem precisava encontrar seu caminho pelos oceanos. O próprio Observatório Real de Greenwich foi criado no século XVII em parte para ajudar a solucionar problemas relacionados à navegação e à determinação da longitude.

Foto: London my mind.

Planetário do Museu de Ciências da Cidade de Nagoya — Japão

Em Nagoya, o Museu de Ciências da Cidade abriga uma cúpula de 35 metros que oferece uma experiência imersiva para observar e compreender o céu. O espaço faz parte de um museu dedicado à ciência e mostra como o conhecimento pode ser apresentado de maneira acessível, transformando conceitos complexos em experiências que despertam a curiosidade.

Planetário Galileo Galilei — Buenos Aires, Argentina

Localizado nos Bosques de Palermo, o Planetário Galileo Galilei é um dos principais espaços de divulgação científica de Buenos Aires. Inaugurado em 1968, possui uma cúpula de 20 metros e capacidade para 360 pessoas.

Foto: Pexels.

Quando todos olham na mesma direção

Os eclipses nos lembram de uma coisa que a rotina muitas vezes nos faz esquecer: ainda somos parte de um todo.

Em meio a telas, compromissos, informações e tarefas que ocupam nossos dias, um fenômeno no céu é capaz de fazer muita gente interromper suas atividades para simplesmente observar. Queremos entender por que o Sol desaparece, por que a Lua muda de cor, como os astros se movimentam e o que existe além daquilo que conseguimos enxergar. Talvez seja justamente essa curiosidade que nos leve aos planetários, observatórios, museus e tantos outros lugares dedicados a explicar o universo.

O eclipse passa, a luz volta ao normal e cada um retoma seu caminho. Mas fica a experiência de ter parado por alguns minutos, ao lado de outras pessoas, para observar algo que nos lembra que a vida também acontece muito além do que ocupa nossos dias.


Por Maria Augusta Nascimento – Marketing na SMI.