Durante muito tempo, o destino era o centro da viagem, primeiro escolhia-se a cidade, depois vinham os restaurantes, hotéis, museus e, talvez, algum evento no meio do roteiro, agora, a lógica começa a inverter. Cada vez mais pessoas estão decidindo viajar por causa de um acontecimento específico: um show, uma maratona, um festival, uma feira de design, uma etapa de Fórmula 1 ou um campeonato internacional. O evento deixa de ser um complemento da viagem e passa a ser o motivo principal dela existir.
A experiência ao vivo voltou a ocupar um lugar central no consumo, especialmente após anos de relações mediadas por telas, streaming e excesso de conteúdo digital. E isso já aparece diretamente na forma como o turismo se movimenta.
Segundo o Ministério do Turismo, grandes eventos musicais têm impulsionado fluxos turísticos, aumentado taxas de ocupação hoteleira e movimentado milhões na economia local, especialmente em setores como gastronomia, transporte e entretenimento. O fenômeno do chamado “turismo musical” ganhou força nos últimos anos e passou a influenciar decisões de viagem em diferentes perfis de público.

E o mesmo acontece no universo esportivo. De acordo com reportagem do BrasilTuris, o turismo esportivo no Brasil segue em expansão impulsionado por grandes eventos nacionais e internacionais, além do crescimento das viagens domésticas motivadas por competições, corridas e experiências ligadas ao esporte.
Na prática, isso muda completamente a dinâmica do planejamento turístico. Antes, o viajante buscava “o que fazer” no destino escolhido e a gora, o calendário cultural e esportivo começa a definir para onde as pessoas querem ir e a agenda passou a influenciar o mapa. É por isso que cidades sede disputam cada vez mais festivais, shows internacionais e competições esportivas. Esses eventos criam posicionamento cultural, fortalecem branding urbano e a aumentam relevância internacional.
Uma cidade que recebe uma turnê global ou um grande evento esportivo passa a circular de outra forma nas redes sociais, na imprensa e no imaginário coletivo. Esse comportamento também tem relação direta com a maneira como experiências são consumidas hoje, viajar por um evento envolve pertencimento, comunidade e participação cultural. Existe uma diferença importante entre visitar um lugar e sentir que você fez parte de um momento específico que aconteceu ali e isso ajuda a explicar por que viagens motivadas por eventos costumam gerar estadias mais longas, grupos maiores e tickets médios mais altos. Muitas pessoas transformam um show ou competição em férias completas, adicionando restaurantes, hospedagens autorais, compras e experiências locais ao redor do evento principal.
Segundo a publicação Brazil Economy, megaeventos internacionais passaram a redefinir fluxos turísticos globais e influenciar períodos inteiros de alta demanda em diferentes destinos. O artigo destaca como eventos culturais e esportivos vêm reorganizando calendários de viagem e alterando o comportamento de consumo do turista contemporâneo.

Ao mesmo tempo, o crescimento do turismo de bem-estar e esportes mostra que esse movimento vai além do entretenimento tradicional. Dados divulgados pela Panrotas apontam que o segmento de wellness e turismo esportivo pode movimentar US$ 3 trilhões até 2032. Isso inclui desde maratonas internacionais até retiros esportivos, festivais de wellness e experiências ligadas à saúde e performance. Em muitos casos, os viajantes não querem apenas assistir ao evento, eles querem participar e se sentir dentro dessa atmosfera.
Essa talvez seja uma das mudanças mais importantes do turismo atual: a busca por experiências com envolvimento emocional real. Em uma era de excesso de conteúdo, experiências presenciais ganharam outro peso. Existe valor em estar fisicamente em um lugar, compartilhar aquele momento com outras pessoas e construir memória coletiva em tempo real. O turismo contemporâneo está cada vez menos ligado apenas ao destino e cada vez mais ligado ao significado da experiência que acontece nele.
Por Verônica Lira – Marketing na SMI.