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Tendências jun 26, 2026

Turismo de ancestralidade é tendência no turismo este ano

Também conhecido como turismo de raízes ou heritage travel, o turismo de ancestralidade reúne viajantes interessados em conhecer os lugares que fazem parte de sua história familiar. O objetivo é compreender a trajetória de antepassados, explorar comunidades de origem, acessar registros históricos e estabelecer conexões com tradições que ajudaram a formar sua identidade.

Embora esse tipo de viagem exista há décadas, a popularização de plataformas de genealogia, testes de DNA e arquivos digitalizados ampliou o interesse por experiências ligadas às origens familiares, e como resultado, o turismo de ancestralidade deixou de ser um nicho restrito à pesquisa genealógica e passou a ocupar espaço nas estratégias de destinos e empresas do setor turístico.

O crescimento do turismo de ancestralidade está diretamente relacionado aos grandes fluxos migratórios que marcaram os séculos XIX e XX. Milhões de pessoas deixaram seus países de origem e formaram comunidades em diferentes partes do mundo e hoje, seus descendentes representam um público interessado em reconstruir essas trajetórias por meio das viagens.

A Itália é um dos exemplos mais fortes desse movimento, o governo desenvolveu programas específicos para atrair descendentes de italianos espalhados pelo mundo, estimados entre 70 e 80 milhões de pessoas. Entre as iniciativas está o projeto Italea, criado para auxiliar viajantes na busca por documentos, cidades de origem e experiências ligadas à história familiar. Dados divulgados pelo Ministério das Relações Exteriores da Itália indicam que o turismo de raízes movimentou cerca de 5 bilhões de euros em 2024, com expectativa de ainda mais crescimento nos próximos anos.

Foto: Adventure Club.

Além da Itália, países como Irlanda, Escócia e China também investem em programas voltados às suas origens. Em muitos casos, a visita ao local de origem é combinada com atividades culturais, encontros com comunidades locais, pesquisas em arquivos históricos e roteiros por pequenas cidades que normalmente ficam fora dos circuitos turísticos tradicionais.

No Brasil, esse tipo de turismo ainda é um segmento em desenvolvimento, mas apresenta grande potencial, já que a formação da população brasileira está ligada a sucessivas ondas migratórias, incluindo portugueses, italianos, alemães, japoneses, árabes e diversos outros grupos que deixaram marcas culturais em diferentes regiões do país.

Cidades do Sul e do Sudeste já recebem visitantes interessados em compreender a história de suas famílias por meio de museus, centros de memória, igrejas, cemitérios históricos e comunidades que preservam costumes trazidos por imigrantes. Segundo reportagens recentes sobre o tema, a procura por viagens relacionadas à ancestralidade vem crescendo, impulsionada principalmente pelo acesso facilitado a pesquisas genealógicas e registros familiares.

Há também um interesse crescente por experiências ligadas à ancestralidade afro-brasileira e indígena, que permitem compreender processos históricos fundamentais para a formação do país. Assim, a viagem funciona como uma ferramenta de aprendizado sobre heranças culturais, deslocamentos populacionais e construção de identidades coletivas.

O turismo de ancestralidade costuma ter uma dinâmica diferente dos roteiros tradicionais, em vez de focar nos principais pontos turísticos, muitos viajantes priorizam pequenas localidades, arquivos públicos, igrejas, associações culturais e espaços que ajudam a reconstruir histórias familiares.

Foto: Pexels.

Essa característica produz efeitos relevantes para os destinos: Municípios de menor porte, muitas vezes fora dos grandes fluxos turísticos, passam a receber visitantes interessados em permanecer mais tempo, consumir serviços locais e estabelecer conexões com a comunidade. Por isso, diversos especialistas consideram o turismo de raízes uma oportunidade para promover desenvolvimento regional e valorizar patrimônios culturais que nem sempre recebem destaque nos roteiros convencionais.

Relatórios de tendências para o setor de viagens apontam que o ancestry travel está entre os segmentos em expansão, especialmente em mercados com forte presença de comunidades descendentes de imigrantes. O interesse por genealogia, identidade cultural e histórias familiares tem transformado a ancestralidade em um dos elementos que influenciam a escolha de destinos.

Nesse contexto, o turismo de raízes deixa de ser só uma viagem para olhar para trás e passa a ser uma forma de entender como as famílias se espalharam pelo mundo, manter vivas histórias que atravessam gerações e criar uma ligação mais concreta com lugares que seguem fazendo parte da trajetória de quem viaja, mesmo quando isso tudo já aconteceu há muito tempo.


Por Verônica Lira – Marketing na SMI